Finalmente, entendendo a Reforma – Transição até 2033
O checklist que o seu negócio precisa (Quinta e ultima parte)
Depois de falar sobre MEI, Simples híbrido, caixa e split payment, chegou a hora de colocar tudo em ordem. Neste artigo, reuni em um checklist prático o que acompanhar, quando agir e o que não pode ficar para depois na transição da Reforma Tributária.
Artigos anteriores desta série explicaram o que muda, o que é mito e o que é realidade. Mas, no dia a dia do pequeno negócio, informação sem organização e planejamento não resolve nada.
A transição da Reforma Tributária vai até 2033. Não é uma corrida de 100 metros: é uma maratona. E, como qualquer maratona, quem chega bem é quem segue um ritmo e não se perde no caminho.
Por isso, este artigo é um checklist. Dividido por fases, para você saber exatamente o que fazer agora, o que preparar antes da virada e o que acompanhar nos próximos anos.
Fase 1. O que já está valendo (e que talvez você não tenha olhado)
Antes de olhar para frente, vale conferir se a casa está em ordem. Desde 2026, algumas mudanças já estão em vigor:
- As notas fiscais de serviço seguem o modelo nacional (NFS-e)
- Empresas do regime regular já informam IBS e CBS nos documentos fiscais
- As alíquotas de teste (CBS a 0,9% e IBS a 0,1%) já aparecem nas notas
O erro mais comum nesta fase é achar que, por serem alíquotas pequenas, não há o que fazer.
Há, e muito!: corrigir a emissão agora é muito mais barato do que correr atrás do prejuízo depois.
Fase 2. O que preparar antes de 31 de dezembro de 2026
A virada de 2027 não espera ninguém. Quatro providências precisam estar resolvidas antes do fim do ano:
- Revisar enquadramento. Confirme se o MEI, o Simples ou o regime atual continua sendo a melhor opção para o faturamento projetado.
- Simular o Simples híbrido. Se a empresa está no Simples, peça ao Contador (escritório) uma simulação para decidir se vale recolher IBS e CBS fora do DAS.
- Revisar cadastros e notas. Garanta que a descrição dos serviços e a atividade do CNPJ estão coerentes. Nota genérica tende a ser rejeitada.
- Preparar o fluxo de caixa. O split payment muda a velocidade com que o dinheiro entra. Refaça as projeções considerando essa nova dinâmica.
Fase 3. A virada: janeiro de 2027
Em 1º de janeiro, o cenário muda. PIS e Cofins saem, a CBS entra de forma efetiva e o split payment começa a valer.
Neste momento, o foco precisa estar em três pontos:
- Acompanhar as primeiras notas emitidas e conferir se os tributos estão sendo destacados corretamente
- Monitorar o caixa nas primeiras semanas para medir o impacto real do split payment
- Registrar eventuais divergências e acionar o contador imediatamente
Janeiro de 2027 será o mês de maior aprendizado prático. O que for identificado nos primeiros dias pode evitar dores de cabeça nos meses seguintes.
Fase 4. A longa travessia: 2028 a 2032
Entre 2028 e 2032, a transição avança de forma gradual. O sistema antigo (ICMS e ISS) e o novo (IBS e CBS) convivem, com ajustes progressivos de alíquotas.
Nesta fase, as tarefas são contínuas:
- Rever semestralmente a opção do Simples híbrido
- Atualizar preços e margens conforme as alíquotas efetivas
- Manter a escrituração e as notas fiscais organizadas
- Acompanhar publicações e mudanças de regras
Quem trata a Reforma como um projeto de uma vez só tende a ser pego de surpresa lá na frente. O segredo está na revisão periódica.
Fase 5. O ponto final: 2033
Em 2033, ICMS e ISS deixam de existir definitivamente. A transição se encerra, e o novo sistema passa a operar em sua forma final.
Chegar lá sem sobressaltos só é possível para quem manteve a organização ao longo do caminho. Por isso, o checklist a seguir serve de guia permanente.
O checklist completo
| Item | Quando | O que fazer |
| Revisar enquadramento e regime | Até dez/2026 | Confirmar se MEI, Simples ou regime regular (hibrido) é o mais adequado |
| Simular Simples híbrido | Até dez/2026 | Comparar recolher IBS/CBS no DAS ou fora dele |
| Corrigir cadastros e descrição de notas | Imediato | Evitar rejeições e alertas automáticos |
| Revisar fluxo de caixa | Até dez/2026 | Projetar o impacto do split payment |
| Conferir primeiras notas de 2027 | Janeiro/2027 | Validar destaque correto de IBS e CBS |
| Monitorar o caixa inicial | Janeiro/2027 | Medir o efeito prático do split payment |
| Revisar opção do Simples híbrido | A cada semestre | Reavaliar com base em números reais |
| Atualizar preços e margens | Continuamente | Ajustar conforme alíquotas efetivas |
| Manter escrituração organizada | Continuamente | Sustentar a conformidade fiscal |
| Acompanhar mudanças de regras | Até 2033 | Não ser pego por novidades fora do radar |
Conclusão
A Reforma Tributária não vai acabar com a sua empresa. O que pode atrapalhar é a falta de um conhecer melhor e um plano!
Com um checklist como este, a transição deixa de ser um monstro e vira um processo administrável. E, no fim das contas, quem se organiza agora atravessa 2033 em uma posição muito mais confortável.
Se você quer montar um plano de ação personalizado para a sua empresa atravessar a transição com segurança, entre em contato. Na Valcunha Contabilidade, ajudamos pequenos negócios a transformar a Reforma Tributária em processo organizado, sem sustos.
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Nota: Atualizado até 18/10/2026, podendo sofrer alteração a qualquer momento!
Agnaldo F. Cunha
10/2026
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